Viver mais exige novos planos: como a longevidade está transformando carreira, dinheiro e família - Instituto da Família - FTSA

Viver mais exige novos planos: como a longevidade está transformando carreira, dinheiro e família

Bullying: Desafios, Consequências e Estratégias de Intervenção
6 de abril de 2026
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Viver mais exige novos planos: como a longevidade está transformando carreira, dinheiro e família

O aumento da expectativa de vida traz novas possibilidades, mas também exige que indivíduos e famílias repensem decisões financeiras, profissionais e relacionais ao longo de todo o ciclo da vida.

Estamos vivendo mais. Essa afirmação, aparentemente simples, representa uma das grandes transformações sociais do nosso tempo e traz consequências que vão muito além da saúde ou da aposentadoria.

No Brasil, a expectativa de vida chegou a 76,6 anos em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para as mulheres, a expectativa alcançou 79,9 anos, maior que a dos homens, 73,3 anos. Para compreender a dimensão dessa mudança, basta olhar algumas décadas para trás: em 1940, a expectativa de vida do brasileiro era de apenas 45,5 anos. Em 1970, chegou a 57,6 anos. E após oito décadas, portanto, foram acrescentados mais de 31 anos à expectativa média de vida da população.

É uma conquista extraordinária. Mas ela também nos apresenta uma pergunta: Estamos aprendendo a planejar uma vida que pode ser muito mais longa?

 

Não se trata apenas de envelhecer

Quando falamos em longevidade, é comum associarmos imediatamente o assunto à terceira idade. No entanto, pensar em longevidade significa olhar para todo o ciclo da vida.

O Stanford Center on Longevity, da Universidade Stanford, tem chamado atenção justamente para essa mudança de perspectiva por meio do projeto The New Map of Life. A iniciativa parte da constatação de que vidas que chegam aos 100 anos serão cada vez mais comuns, enquanto muitas das estruturas sociais e dos modelos pelos quais organizamos nossa existência foram desenvolvidos em uma época em que as pessoas viviam muito menos.

A questão, portanto, não é simplesmente acrescentar anos à etapa final da vida. É preciso repensar a própria organização da vida.

Estudar durante os primeiros anos, trabalhar durante algumas décadas e depois se aposentar talvez já não seja suficiente para descrever uma trajetória que pode se estender por oito, nove ou até dez décadas.

Os pesquisadores do tema defendem, por isso, uma visão mais flexível, na qual aprender, trabalhar, cuidar, fazer transições e construir segurança financeira são processos que atravessam diferentes momentos da existência e devem ser melhor planejados.

 

Se a vida ficou mais longa, a carreira também muda

Uma das consequências mais evidentes da longevidade aparece na vida profissional. Carreiras construídas para uma realidade de poucas décadas de trabalho precisam ser reconsideradas quando as pessoas podem permanecer profissionalmente ativas por períodos muito maiores.

Isso significa que mudar de profissão, adquirir novas competências, retornar aos estudos ou reorganizar a relação entre trabalho e vida familiar pode deixar de ser exceção para tornar-se parte natural da trajetória.

O New Map of Life chega a considerar a possibilidade de 60 anos ou mais de vida profissional, porém com maior flexibilidade e períodos destinados ao cuidado familiar, à saúde, ao aprendizado e às próprias transições da vida.

Assim, planejar a carreira deixa de significar apenas responder à pergunta “o que quero fazer profissionalmente?” e passa a envolver outra: “como quero construir minha trajetória ao longo de uma vida mais extensa?”

 

Quando a família muda, o planejamento também precisa mudar

A longevidade também altera profundamente as relações familiares. Casamento, nascimento dos filhos, mudanças profissionais, saída dos filhos de casa, envelhecimento dos pais, aposentadoria e viuvez são alguns dos acontecimentos que podem modificar responsabilidades, prioridades e projetos.

Em uma vida mais longa, diferentes gerações também passam mais tempo convivendo. Uma pessoa de meia-idade, por exemplo, pode estar simultaneamente lidando com filhos que ainda necessitam de apoio, decisões relacionadas à própria carreira e necessidades crescentes de cuidado dos pais idosos.

Por isso, as transições não devem ser vistas necessariamente como interrupções de um percurso ideal. O Stanford Center on Longevity as considera parte esperada das vidas mais longas.

 

E onde entra o dinheiro nessa história?

Praticamente em todos os momentos. O dinheiro acompanha o ciclo de vida familiar porque decisões financeiras não acontecem isoladamente. Formar uma família, ter filhos, investir em educação, mudar de carreira, adquirir uma casa, cuidar dos pais, preparar a aposentadoria ou enfrentar uma mudança inesperada são acontecimentos que possuem dimensões financeiras, mas também emocionais e relacionais.

Por isso, falar sobre dinheiro dentro das famílias não deveria significar apenas fazer contas. Nossa relação com recursos financeiros pode carregar histórias familiares, expectativas, valores, inseguranças, projetos, diferentes compreensões sobre autonomia e até conflitos conjugais e intergeracionais.

O planejamento financeiro precisa, então, dialogar com o planejamento do próprio ciclo de vida. Uma das recomendações centrais do New Map of Life é justamente construir segurança financeira desde cedo. Para o projeto, financiar vidas mais longas exigirá novas formas de pensar trabalho, poupança e aposentadoria.

 

Planejar não significa prever tudo

Talvez esse seja um dos pontos mais importantes dessa discussão. Planejar uma vida longa não significa tentar controlar cada acontecimento das próximas décadas. Isso seria impossível.

Significa desenvolver condições para tomar decisões melhores diante das diferentes fases e transições da vida. Significa reconhecer que escolhas profissionais afetam a família; que mudanças familiares repercutem nas finanças; que decisões financeiras interferem nos relacionamentos; e que uma vida mais longa pode exigir novas formas de aprender, trabalhar, cuidar e se preparar para o futuro.

 

Um curso para compreender os novos desafios do ciclo de vida

É diante dessas transformações que o Instituto da Família – FTSA promove o curso de capacitação “Planejamento para o ciclo de vida familiar: carreira, dinheiro e longevidade”, ministrado pela Dra. Valéria Meirelles, Doutora e Mestre em Psicologia Clínica e Especialista em Terapia Familiar pela PUC-SP; além de ser reconhecida nacionalmente com a pioneira na Psicologia do dinheiro.

Com início em 28 de agosto, o curso propõe uma reflexão sobre temas que se tornaram fundamentais para compreender indivíduos e famílias na contemporaneidade.

O primeiro módulo, “Dinheiro, ciclo vital e famílias na contemporaneidade”, abre justamente essa discussão sobre a relação entre recursos financeiros, escolhas e as diferentes etapas da trajetória familiar.

A proposta é especialmente relevante para profissionais que trabalham com indivíduos, casais e famílias e precisam compreender como as transformações demográficas e sociais estão criando novos desafios para o cuidado e o planejamento.

Afinal, viver mais é uma conquista da nossa geração. Aprender a planejar essa vida mais longa é um dos desafios que vêm com ela.

Saiba mais sobre o curso e prepare-se para compreender as famílias diante dos novos desafios da longevidade.

quero saber mais sobre o curso

 

Referências
IBGE. Expectativa de vida chega a 76,6 anos em 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45275-expectativa-de-vida-chega-a-76-6-anos-em-2024 . Acesso em: 27 julho 2026.
STANFORD, Center on Longevity. The 100-year life is here. We’re not ready. Disponível em https://longevity.stanford.edu/the-new-map-of-life-report/ Acesso em: 27 julho. 2026.

 

 

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