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Crises que paralisam x Crises que fortalecem

REFLEXÃO – Em tempos de coronavírus – 

Estamos enfrentando um momento inédito em nossas vidas. É assustador ver um mundo em constante movimento de repente parar, literalmente, e quase que integralmente. Tivemos nossa liberdade limitada, sem sabermos ao certo por quanto tempo.

Estamos, ainda, nos reorganizando para esta nova realidade, na esperança de que ela seja temporária e com mínimos efeitos sobre nossas vidas e famílias. Mas, ou nos adaptamos e mudamos nossos hábitos, ou colocamos em risco nossas vidas e as daqueles que amamos. Esse é o dilema.

Creio que, mesmo sem muitas respostas, nosso papel como seres humanos e profissionais da relação de ajuda deve ser o de refletirmos a respeito de nossas reações frente ao futuro desconhecido. É fundamental que passemos pelo autoconhecimento, analisando nossos próprios pensamentos, atitudes e sentimentos, pois, eles determinarão a qualidade de nossa existência, bem como dos serviços que prestamos à nossa comunidade.

Sabemos que cada ser humano é único e tem uma maneira diferente de reagir diante dos acontecimentos. Não desconsideramos as inúmeras influências culturais, hereditárias, ambientais, espirituais e familiares que participam desta singularidade. Porém, ao mesmo tempo que somos formados por uma gama de fatores, também fazemos escolhas e somos protagonistas de nossas vidas. E como é maravilhoso pensar que, do mesmo modo que recebemos algumas “heranças”, também deixaremos as nossas, impressas nas próximas gerações.

Froma Walsh*, psicóloga, terapeuta de casal e família, PhD em Desenvolvimento Humano e Ciências do Comportamento, é pesquisadora e autora de diversos artigos na temática da resiliência. Ela afirma em seus escritos que as crenças compartilhadas auxiliam os membros da família a encontrarem significado nas adversidades, cultivando a esperança e o olhar otimista. A espiritualidade é fator chave neste processo, pois, dá aos indivíduos um propósito maior frente às crises, transformando-as em oportunidade de crescimento.

Walsh também ressalta que famílias resilientes apresentam flexibilidade e estabilidade, demonstrando abertura às mudanças. Outro ponto relevante das famílias resilientes é que se comunicam de forma clara, aberta e encorajadora. As emoções e opiniões são expressas de maneira livre, proativa e colaborativa. Desta maneira, as adversidades são encaradas com empatia e como meio de aprendizagem.

Com base nesta reflexão, será que temos enxergado este momento atual com olhos “resilientes”? Qual aprendizado esta adversidade tem nos trazido? Temos conseguido desenvolver nossa espiritualidade de forma saudável, encontrando significado e oportunidade de crescimento? Temos nos comunicado de maneira encorajadora, buscando expressar nossas opiniões de forma colaborativa?

Que esta crise mundial nos transforme, a ponto de não sermos mais quem éramos. Assim serviremos ao próximo com mais conexão e humildade. Se conseguirmos isso, nosso trabalho será, invariavelmente, mais efetivo.

Karla Suenson Sales
Psicóloga CPR 08/07775. Londrina, PR. Mestre em Educação. Especialista em Terapia de Casal e Família. Coordenadora dos Cursos de Capacitação: Neurociências Relacional e o Cuidado da Família

* Walsh, Froma (2011). Family resilience: a collaborative approach in response to stressful life challenges. Resilience and mental health: Challenges across the lifespan, 149-161.

 

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